Você viajaria em um avião charter com um “macaco” a bordo?

Em fevereiro de 2014 decidimos, David e eu, conhecer São Tomé e Príncipe, um país muito pequeno localizado no Oceano Atlântico, há mais ou menos 300 Km da Costa Ocidental Africana. O país é formado por duas ilhas (Ilha de São Tomé e Ilha do Príncipe) e uma dezena de ilhéus.

Além do barco, o único meio de transporte entre as duas ilhas – até aquela época – era um avião pequeno de 18 lugares*. O avião, um charter, era tão pequeno que as instruções foram dadas do lado de fora, antes do embarque, porque o comissário de bordo (se é que se pode chamar assim), não consegue ficar em pé dentro do avião.

O avião que faz a rota Ilha de São Tomé à Ilha de Príncipe é tão pequeno...

O avião que faz a rota Ilha de São Tomé à Ilha de Príncipe é tão pequeno…

... que o comissário "de bordo" dá as instruções antes do embarque.

… que o comissário “de bordo” dá as instruções antes do embarque.

Parte interna do monomotor

Parte inerna do monomotor…

Sentei no primeiro banco, literalmente atrás do piloto

… sentei no primeiro banco, literalmente atrás do piloto

Confesso que senti um pouco de medo no início mas depois tranquilizei. Mas o mais engraçado da viagem e que vai ficar na memória por muitos anos, foi o trajeto de volta para a Ilha de São Tomé.

O aeroporto da Ilha do Príncipe é minúsculo e como só tem dois ou três vôos por semana, metade da população se desloca até o aeroporto – nos dias que há vôo – para vender coisas ou simplesmente ver quem está chegando ou partindo. Chegamos bem antes do horário do embarque, fizemos o check-in e ficamos numa área externa do terminal.

De repente, eu vejo uma menina de uns 12 anos chegando ao aeroporto na garupa da moto de alguém -imagino que era seu pai – e trazendo consigo, no ombro, o seu bichinho de estimação.

Detalhe, o bichinho de estimação da pequena garota era um macaco. Pequeno, é verdade, mas era um macaco!

 

O bichinho de estimação da garotinha...

O bichinho de estimação da garotinha…

... era um macaquinho!

… era um macaquinho!

Até então eu estava achando que a menina tinha ido observar o movimento do aeroporto como a maioria das pessoas que estavam lá. Achei bonitinho (de longe) e tirei fotos! Mas, para minha surpresa, ela também iria embarcar. Quem me conhece sabe que tenho muito medo de animais, até de cachorros, imagina de um macaco!

Um avião grande, tudo bem, mas naquele aviãozinho de 18 lugares que mal cabia os passageiros? Comecei a me apavorar só de pensar na ideia de viajar com o tal macaco a bordo! rs

Para meu alívio, quando ela chegou no balcão para fazer o check-in com o macaco no ombro (e eu de olho), o atendente disse que ela não poderia embarcar, a menos que colocasse o bichinho em uma caixa. Aí já viu, foi um corre-corre para providenciar a tal caixa, e ainda fazer um furo para que o macaco pudesse respirar.

... e, finalmente, a menina embarcou levando seu bichinho de estimação.

… e, finalmente, a menina embarcou levando seu bichinho de estimação.

Uma caixa foi improvisada pelos vizinhos do aeroporto para colocar o macaco...

Uma caixa foi improvisada pelos vizinhos do aeroporto para colocar o macaco…

Eu continuava preocupada. E se o bichano escapasse da caixa? Imagina a confusão que poderia virar dentro do charter? Mas ela continuava lá, firme e forte com o macaco dentro da caixa, acreditando que ia levá-lo no colo.

Mas, felizmente, na hora que ela ia subir as escadinhas do avião, o comissário a interpelou e disse que a caixa – com o macaquinho dentro – teria que ser colocada no bagageiro! Daí em diante a viagem seguiu tranquila até o aeroporto da Ilha de São Tomé e lá, ela pode seguir com seu bichinho nos braços.

 

*O aeroporto da Ilha do Princípe estava sendo reformado para poder receber aviões maiores.