Tapada de Mafra: 1200 hectares repleto de atrações e muito verde!

Domingo de sol e nós resolvemos conhecer mais um pouco das belezas de Portugal. Pesquisei na internet e encontrei um parque chamado Tapada de Mafra, a mais ou menos 40 Km de Lisboa. O site dizia que a trilha era de dificuldade média e que nós levaríamos 3 horas para completá-la. Então, lá fomos nós, fazer exercício e curtir a natureza.

Tapada Nacional de Mafra: um pouco de história

Com uma área de 1200 hectares, a Real Tapada de Mafra foi criada em 1747 pelo Rei D. João V. Rodeada por um moro de alvenaria de pedra e cal (extensão de 21 Km), a Tapada fica bem ao lado do Palácio de Mafra. Na verdade, ao passear pelo Jardim do Cerco, você se depara com o muro da Tapada.

A explicação é bem simples. A Tapada de Mafra era a área de lazer, digamos assim, do Rei e da sua corte. Além disto, era de lá que eram retirados lenha e outros produtos utilizados no Convento. Um grande aqueduto, ou seja, um canal com 4650m foi construído ligando as zonas de maior abastecimento dentro do parque com o Palácio de Mafra. E era este aqueduto que garantia o abastecimento de água no edifício real.

Tapada de Mafra (Portugal)

Segundo o site tapadademafra.pt, entre 1861 e 1908, durante os reinados de D. Luís e D. Carlos, a Tapada conheceu seu tempo áureo. A caça assumia então um simbolismo de poder, por um lado, e de lazer por outro, constituindo essa prática de vencer animais, fisicamente mais poderosos, uma forma de preparação física para as contendas militares.

Com a queda da Monarquia e implantação da República, o local passou a ser chamado de Tapada Nacional de Mafra (TNM), passando a ser utilizada para o exercício da caça e atos protocolares.

A Tapada foi dividida em três partes separadas por dois muros construídos em 1828, estando atualmente a primeira, com 360 hectares, sob administração militar.

Nossa Trilha pela Tapada de Mafra

Endereço na mão, água, protetor solar, fruta e alguns biscoitos na mochila e lá fomos nós, desta vez, nos aventurar sozinhos pelas trilhas de Portugal. Saímos de Lisboa e pegamos a autoestrada A21, em direção a Mafra e Ericeira. O GPS indicava aproximadamente 40 minutos de viagem.

Depois de alguns quilômetros, na entrada de Torres Vedras e Malveira (N8), já avistamos uma placa indicando que estávamos no caminho certo. A partir daí foi só seguir as placas indicando Tapada de Mafra e em poucos minutos estávamos na entrada do parque.

Estacionamos o carro e dirigimo-nos à recepção para saber como funcionava o parque, pegar o mapa e tal. Optamos por fazer a trilha amarela, a mais longa das três, com 9km de extensão.

Logo no começo, a trilha é bem tranquila, uma rua larga e relativamente plana, cercada de um lado pelo verde das matas e das samambaias e do outro pelo muro que cerca a região. Em alguns pontos é possível ver a estrada que liga o parque à cidade de Mafra.

Tapada de Mafra (Portugal)
Aos poucos, o caminho começa a ficar mais inclinado e o muro dá lugar a muitas árvores e um pequeno rego d’água. Nada muito difícil mas, se você não está acostumado a caminhar, certamente vai sentir um pouquinho.
A vegetação é muito bonita. Aliás, em muitos pontos, tive a sensação de estar caminhando em algum parque brasileiro.

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)
Nas áreas mais altas, é possível ver, bem longe, o mar e muitos moinhos de vento. Durante todo o percurso há placas contando um pouco da importância história do local, como, por exemplo, o fato de que, em 1711, o Rei D. João V decidiu construir o Palácio de Mafra próximo à Tapada pois isto garantiria o abastecimento de água do local. Para isto, ele mandou construir um aqueduto com 4650m que ia desde uma das áreas de maior abastecimento dentro da Tapada até o palácio.

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)

Percorremos quase toda a trilha amarela até o Vale das Figueiras. Como percebemos que faltava pouco para finalizarmos o percurso, decidimos nos aventurar pela trilha vermelha. Foi aí que demos de cara com o primeiro bicho do parque, um Javali. Ou melhor, dois!

A cena foi muito engraçada porque eu fiquei tão surpresa de ver o bicho tão perto que me assustei e não tirei foto. Quando eles perceberam, foram eles que se assustaram e se esconderam. Mas, claro, nós esperamos um pouco e, logo em seguida, lá estavam eles, novamente, no meio da estrada.

Tapada de Mafra (Portugal)
Seguimos pela trilha vermelha por mais uns 4km e aí sim, encontramos alguns trechos mais inclinados e cansativos. E foi aí, também, que percebemos que o mapa distribuído pelo parque é muito ruim. Além de não ter a distância entre um ponto de referência e outro, também não tem alguns pontos. Em determinado ponto, estávamos seguindo as setas mas. meio sem saber exatamente em que ponto do mapa nos encontrávamos.

Fizemos o círculo, conforme imaginávamos e chegamos novamente ao Vale da Figueira no exato momento em que o trenzinho passava cheio de turistas. E adivinha? Coincidência ou não, havia um monte de Javalis e Veados no local, completamente diferente do que havíamos visto uma hora antes.

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)

Tapada de Mafra (Portugal)

Antes de chegar ao final do passeio, passamos ainda por uma área com várias construções, um hotel, o Jardim Romântico, o Museu dos Coches e Carruagens e o Pavilhão de Caça do Rei D. Carlos.

Tapada de Mafra (Portugal)
E depois de 3h30 de caminhada e quase 16km percorridos (trilha amarela e parte da vermelha), chegamos ao final do passeio que, por sinal, recomendamos. O parque é muito bem cuidado e a vegetação é bem bonita.

Se você não é fã de trilhas, há outras opções para conhecer o parque como passeios de trenzinho, passeios a cavalo ou, ainda de charrete. Enfim, se é por falta de opção, você não vai deixar de ir até lá.

Curiosidade sobre a Tapada de Mafra

Um alerta muito importante para quem decide visitar o parque. Quando nós nos dirigimos à recepção e perguntamos sobre as trilhas, a recepcionista nos disse que haviam 3 trilhas diferentes, uma de 4km, outra de 7,5Km e uma terceira de 9Km e nos mostrou o mapa.

Porém, ela não explicou que cada trilha deve ser paga separadamente. O que, cá entre nós, é um absurdo! Nunca vimos isto em lugar nenhum antes. Em geral, você paga um valor para entrar no parque e, lá dentro, faz o que quiser. Se quiser sentar e fazer um picnic ou se quiser caminhar 3 horas, a opção é sua.

Pois é, mas na Tapada de Mafra é diferente. E eu só fiquei sabendo disso, no final do dia, por acaso, pois voltei à recepção para, gentilmente, sugerir à organização do lugar que seria interessante que eles colocassem, nas placas de sinalização, a distância entre as atrações do parque. Sentimos falta disto durante a trilha. E aí, no meio da conversa, disse a ela que quando estávamos acabando a trilha amarela, decidimos fazer parte da trilha vermelha. Foi então que ela me disse que nós não poderíamos ter feito isto porque só havíamos pago pela trilha amarela. É mole!? ;-(

O mais interessante é que ninguém nunca vai saber se você fez uma, duas ou três trilhas porque, evidentemente, não tem ninguém pedindo seu ticket nos pontos de intersecção das trilhas para saber se você pagou uma ou outra. Enfim, algo um tanto quanto estranho. Mas, agora que você já sabe, se decidir se aventurar na Tapada de Mafra, o seu ingresso só vale para aquela trilha que você pagou ok?

Como chegar à Tapada de Mafra

De carro: siga pela A21, sentido Mafra/Ericeira e depois pegue a N8 (Torres Vedras/Malveira) e siga as placas indicando Tapada de Mafra

Valores

Os valores, como mencionamos acima, variam de acordo com o que você pretende fazer dentro do parque.
Para mais informações sobre o Parque, acesse o endereço www.tapadademafra.pt