Gruyères: Uma aldeia medieval encantadora e surpreendente!

Cercada por uma enorme muralha no alto de uma montanha, Gruyères poderia ser somente mais uma vila medieval europeia como tantas outras mas, aos poucos, o pequeno vilarejo ganhou fama e não é raro ver o seu nome citado como um dos dez destinos mais românticos e encantadores da Europa.

Exagero? Talvez!

Concordo que a cidade é muito bonitinha e está sempre repleta de gerânios vermelhos na frente das casas, o que a deixa sempre encantadora, mas não sei se a classificaria entre as dez mais românticas. Na verdade na Europa qualquer vila, por menor que seja, é normalmente “muito bonitinha” – como diz uma amiga minha – arrumadinha e bem cuidada, e isso sempre nos encanta.

Rua principal da vila de Gruyères

A rua principal da cidade está sempre repleta de turistas….

Rua principal da vila de Gruyères

… e muitos gerânios vermelhos nas fachadas das casas

Gruyères não é diferente. Localizada aos pés dos Pré-Alpes (Cadeia de montanhas na parte noroeste dos Alpes), a aldeia medieval suíça de uma rua só seduz com sua paisagem bucólica, encanta com a arquitetura pitoresca de suas construções e conquista pelo sabor inconfundível de seu queijo e do famoso ‘Gruyère Double Cream’.

Mas engana-se quem pensa que a pequena Gruyères é só flores! Ao caminhar pela pacata (e praticamente única) rua da vila o turista se depara com um bar no mínimo diferente. Mas a surpresa não termina por aí, o bar – com suas mesas, cadeiras e paredes ‘esquisitas’- não é nada perto das figuras bizarras que você vai encontrar no Museu HR Giger, do outro lado da rua.

GRUYÈRES: ONDE FICA E COMO CHEGAR 

O município de Gruyères, pertencente ao Cantão de Friburgo, possui apenas 2.027 habitantes espalhados por sete pequenas vilas: Gruyères, Epagny, Pringy, Moléson-sur-Gruyères, Saussivue, Pont e Creux.

Ao chegar à região logo se avista a vila medieval de Gruyères no topo da colina, a uma altitude de 830m. Ela chama a atenção por estar em um ponto isolado, visivelmente separada das outras vilas da região.

Vista frontal do castelo de Gruyères

A vila chama a atenção por estar isolada no alto da colina

Vista do Castelo de Gruyères

Epagny, Pringy, Moléson-sur-Gruyères, Saussivue, Pont e Creux são vilas mais modernas e  estão logo abaixo, na parte mais plana do município, ao longo de uma pequena estrada sinuosa chamada Route de Moléson.

As montanhas de Moléson (2002m), Broc (1830m) e Chamois (1340m), situadas em torno da vila de Gruyères, completam a paisagem bucólica da região.

A vila de Gruyères está situada a 123Km de Genebra, 33Km de Fribourg e, 40Km de Vevey e 5Km de Bulle. Saiba como chegar à região:

Como chegar: De carro: Autoroute A12, saida para Bulle;
De ônibus: Há algumas empresas que fazem um day-tour para Gruyères a partir de Genebra mas não há ônibus de linha;
De trem: Não há trem direto de Genebra para Gruyères. É preciso fazer conexão em Montreaux/Montbovon (2h27) ou Romont/Bull (2h10). O custo da passagem é de 22 francos, cada trecho. Saídas da Gare Cornavin.

O que fazer em Gruyères?

Dentro da vila medieval de Gruyères não circula carro, então, estacione o seu veículo em um dos três estacionamentos disponíveis próximos à entrada e aproveite o que o lugar tem para oferecer. Para facilitar, você pode levar o mapa de atrações da cidade.

Château de Gruyères (Castelo de Gruyères)

Vista lateral do castelo de Gruyères

O Château de Gruyères está localiza no ponto mais alto da vila, de onde se tem uma visão panorâmica de toda a região. Construído supostamente no século XIII, o Châteaux – que abrigou uma longa sucessão de Condes de Gruyères – é um dos mais conhecidos castelos suíços. Porém, a sua origem permanece desconhecida até os dias de hoje. Sabe-se que entre os Séculos XI e XVI, dezenove condes habitaram o local.

O último desses Condes, Michel, enfrentou dificuldades financeiras durante toda a sua vida e acabou decretando falência em 1554. Seus credores, as vilas de Fribourg e Berne, receberam suas terras. De 1555 até 1798 o Castelo serviu de residência aos Oficiais de Justiça e aos Prefeitos enviados por Fribourg. Em 1849, o castelo foi adquirido pelas famílias Bovy e Balland, que restauraram o local, com a ajuda de seus amigos artistas. Quase 100 anos mais tarde, em 1938, o Cantão de Friburgo comprou novamente o Château, transformando-o em um museu onde há uma exposição permanente contando a história do local e exposições temporárias diversas.

Pátio do Castelo de Gruyères

Pátio no interior do Castelo

Sala no interior do Castelo de Gruyères

Uma das salas do Castelo com os móveis da época

Durante a visita ao Château, o turista pode assistir a uma apresentação multimídia denominada ‘Gruyères’. Com uma duração de 18 minutos e disponível em 8 idiomas, o filme é uma viagem no tempo, levando o turista a descobrir a maravilhosa história do castelo e da região.

O Castelo possui, ainda, um pequeno mas belo jardim, muito utilizado por turistas para uma pequena pausa durante o passeio. A visita ao castelo é uma viagem através de oito séculos de arquitetura, história e cultura. Para mais informações sobre os horários e exposições do Château, clique aqui.

Jardim do Castelo de Gruyères

Vista do Jardim

Bar e Museu HR Giger

Não tem como falar sobre o bar e o museu sem citar o artista que dá nome a estes dois lugares diferentes e intrigantes.

Hans Ruedi Giger, mais conhecido como H.R. Giger (1940-2014), era pintor, escultor, designer e arquiteto de interiores. O artista, ao contrário do que muitos pensam, não nasceu em Gruyères, mas sim em uma cidadezinha suíça chamada Chur, no cantão de Grisões (Canton des Grisons).

Considerado um dos principais artistas da corrente surrealista e da arte fantástica, “a base fundamental do trabalho de Giger era a estética biomecânica, uma dialética entre homem e máquina, representando um universo ao mesmo tempo sublime e perturbador”

Entrada do Museu HR

Pela entrada dá para imaginar o que tem dentro do museu

Necronomicon, o livro mais famoso de Giger – publicado em 1977 – serviu de inspiração visual para o diretor do filme Alien, um dos maiores sucessos do cinema mundial. Giger recebeu o Oscar de Efeitos Visuais, em 1980, por seu projeto de criação do personagem, bem como todo o cenário do filme e por isso tornou-se famoso como o “criador do Alien”. Mas o artista também em outros filmes famosos como Poltergeist II, Alien3 e Species.

Em 1990, quando Giger completou 50 anos, o artista foi convidado a montar aquela que seria a maior retrospectiva do seu trabalho no Château de Gruyères. A exposição intitulada “Aliens dans ses meubles” foi um sucesso, recebendo a vistia de mais de 110.000 pessoas. E foi exatamente nesta época, que o artista se encantou pela região. Anos depois, em 1977, Giger adquiriu o Château St. Germain, distante apenas poucos metros do Château de Gruyères, para abrigar o seu próprio museu e um Centro de Arte Fantástica.

Aberto ao público em Junho de 1988, o museu exibe a maior coleção de obras de arte do artista – incluindo suas pinturas, esculturas, mobiliários e projetos de cinema – desde o início dos anos 60 até 2014, quando o artista faleceu. O piso superior do museu é reservado às exposições temporárias de outros artistas.

As obras exibidas no museu fazem jus aos personagens criados pelo artista, são intrigantes, aterrorizantes e um tanto quanto indecifráveis. Ao caminhar pelos aposentos do museu e visualizar cada uma das obras de Giger, é impossível não pensar que as ‘obras de arte’ são fruto de uma mente extremamente doentia e perturbada. Porém, segundo sua esposa declarou à época de seu falecimento, em maio de 2014, H.R.Giger era “um homem de personalidade calorosa, generosidade incrível e grande senso de humor, contrastando fortemente com o universo descrito em seu trabalho.”

Apesar da fama do artista, se você não é fã de arte surrealista, um pouco sadomasoquista e extremamente maluca, eu aconselho a não gastar o seu precioso dinheiro, muito menos seu tempo no museu. Eu, particularmente, não gostei e não voltaria. Mas, se você aprecia as criações mirabolantes de Giger, certamente vai curtir muito a visita.

Dou outro lado da rua fica o bar H.R. Giger, meio maluco também mas ao mesmo tempo, descontraído. Toda a decoração (mesas, cadeiras, paredes, piso) lembram as obras do ator mas, a meu ver, de uma forma divertida e agradável. Se não quiser beber ou comer algo, pode entrar assim mesmo, ninguém se importa se você entrar somente para fotografar ou matar a curiosidade.

Interior do Bar HR

O bar do museu é totalmente estilizado…

Interior do Bar HR

mas é mais divertido do que aterrorizador

Clique aqui para ver mais fotos do bar.

Casa de Chalamala

Girard Chalamala foi o último bobo da Corte de Gruyère, servindo ao Conde Peter IV. Ele tocava um instrumento semelhante à flauta, chamado Chalamala (Chalemelle em francês) e por isso ganhou o apelido de “Girard the Flute” (Girard a flauta). Porém, no final de sua vida, Girard foi muito mais rico e melhor do que o Conde.

A casa fica na rua principal, à esquerda da rampa que dá acesso ao Château de Gruyères e alguns metros antes do Museu H.R. Giger.

Église St-Théodule

Altar da Igreja de Gruyères

Órgão ao fundo da Igreja de Gruyères

A Igreja está situada em uma parte bem tranquila da cidade, em uma das poucas ruas da vila além da principal.

Com o objetivo de evitar que seu povo tivesse que se locomover até a cidade de Bulle constantemente, o Conde Rodolphe III autorizou a construção da Igreja no ano de 1254. Em 1679, um raio atingiu a torre da igreja. A igreja em si não sofreu muitos danos mas o interior da torre (onde haviam as vigas de sustentação dos sinos) foi totalmente destruído. A torre foi parcialmente reconstruída.

Outro inndio, no Dia de Corpus Christi em 1856, destruiu novamente a Igreja que foi reconstruída em 1860. Uma curiosidade sobre a Igreja é o Sino da Agonia (La cloche de l’Agonie) que é usado para anunciar o falecimento de algum membro da comunidade.

A Torre Chupia Barba

Logo na entrada da cidade, do lado direito, o visitante pode ver a torre em que os prisioneiros eram torturados. A forma mais comum de tortura era atear fogo na barba dos prisioneiros, daí o nome da torre Chupia Barba (Barba queimada)

O medidor de grãos

Situada bem no centro da vila de Gruyères, em frente ao Auberge de la Halle, está uma grande estrutura de pedra que era utilizada para medir os grãos que seriam vendidos. A pedra possuía uma abertura, uma espécie de ralo.  Para medir os grãos, fechava-se este “buraco”, colocava-se os grãos no recipiente até que os mesmos ficassem cheios e, depois, abria-se o ralo para que os grãos caíssem dentro de um saco, colocado na outra extremidade da abertura. Tudo isso era feito sob a supervisão de Oficiais de Justiça ou até mesmo do próprio Conde para garantir que o comerciante não enganasse seus clientes.

La Maison du Gruyère

Fabricação do queijo Gruyères

Fabricação do queijo Gruyères

Poucos metros antes da entrada da vila de Gruyères o turista tem a oportunidade de visitar a Maison du Gruyère, local onde é fabricado o famoso queijo que recebeu o mesmo nome da cidade. Um lugar rigorosamente turístico, com restaurante, lojinha com produtos regionais e uma espécie de museu do queijo. Após comprar o ingresso, o visitante recebe um aparelho e um fone de ouvido.

Durante a primeira parte da visita o turista passa por vários painéis com fotos que contam a história da fábrica. Para cada figura há uma narrativa que pode ser acompanhada por meio do aparelho e fone de ouvido. Em seguida o visitante passa por outro corredor com paredes de vidro por meio da qual podem visualizar um pouco do trabalho de fabricação do queijo Gruyère. Enquanto isso os funcionários trabalham, normalmente, no piso inferior.

A visita é muito rápida, entre 20 minutos e meia-hora. Sinceramente, eu não voltaria, não acho que vale o valor cobrado. Já tive a oportunidade de ver a produção de queijo em outros lugares da Suíça – em Appenzel, por exemplo – sem pagar ingresso. Clique aqui para ver mais fotos da fábrica de queijo.

Esportes e Lazer

A região de Gruyères também é muito utilizada para a prática de esportes e atividades de lazer, seja no inverno ou no verão. Se você tiver tempo, vale a pena seguir por mais 5Km até a pequena vila de Moléson-sur-Gruyères, aos pés da montanha de Moléson (2.002m).

Post_Gruyeres_Foto023Além de um parque de diversões com diversas atividades e alguns restaurantes muito simpáticos, você pode subir até o topo da montanha e apreciar a paisagem deslumbrante da região. O acesso é feito por meio de um furnicular e do seu teleférico.

Mas, se você gosta de uma bela caminhada ou até mesmo uma corrida, pode encarar uma das três trilhas do queijo ou “Sentier des Fromageries”. Cada uma delas tem um grau de dificuldade e um período de duração. Nós fizemos as duas trilhas.

Saiba como foi nos artigos Château de Gruyères, Museu H.R.Giger e uma bela trilha montanha abaixo! e Châtel-St-Denis e uma bela trilha pelo “Sentier des Fromageries”

Agora, se você quer aproveitar para simplesmente relaxar, apreciando a bela paisagem, a dica do meusroteiros.com é passar algumas horas nas piscinas de águas termais localizadas na cidade de Charmey, há apenas 11Km de Gruyères. Les Bains de la Gruyère, como é chamado, tem duas piscinas, uma interior e outra exterior, cada uma com várias atrações como bicos e jatos massageadores. Dependendo da estação do ano, a água, rica em sais minerais, é aquecida à temperatura de 33-34ºC. Além disso, o espaço oferece outras opções de relaxamento como saunas, banho turco e massagem, bem como uma grande variedade de tratamentos de beleza e bem-estar.

DICAS DO MEUSROTEIROS.COM 

1. Se você for visitar o Museu H.R. Giger e o Château de Gruyère, compre o ingresso integrado que dá direito a visitar os dois lugares e custa um pouco mais barato do que se comprados separadamente.

2. Se você chegou a Gruyères, esqueça a dieta por alguns instantes e experimente o famoso e delicioso ‘Gruyère Double Cream’ com sorvete, fruta ou com merengue.  O creme – retirado da superfície do leite – não é doce, por isso combina muito bem com o merengue. Você pode até ganhar algumas calorias, mas espero que não perca a oportunidade de provar essa deliciosa sobremesa!

Taça de sorvete com double cream
Gostou de Gruyères e quer ver mais fotos da cidade e suas atrações, clique aqui.

Se preferir, dá uma olhadinha no vídeo abaixo:

Não deixe de ler, também, o artigo Doze lugares na Suíça que você vai querer conhecer! com alguns dos lugares que já visitei e que recomendo a todos que pretendem conhecer este país encantador!

Fontes:
http://www.la-gruyere.ch/fr
http://www.hrgiger.com/
http://appl.fr.ch/stat_statonline/portrait/etape2.asp?Reference=97