Controvérsias à parte, novo terminal internacional muda a ‘cara’ do Aeroporto de Guarulhos

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Fachada do Terminal 3, ainda em fase de finalização

Bonito, moderno, confortável e seguro! Essa foi, sem dúvida alguma, a minha primeira impressão sobre o novo Terminal do Aeroporto Internacional André Franco Montoro – mais conhecido como Aeroporto de Guarulhos – quando desembarquei no Brasil e pisei, pela primeira vez, no Terminal 3.

O intuito desta matéria não é discutir a questão de o terminal ser ou não um legado dos jogos, até porque, na minha modesta opinião, a ampliação do Aeroporto de Guarulhos há muito fazia-se necessária, independente da realização ou não de uma Copa do Mundo no Brasil. O aumento considerável do número de turistas estrangeiros que visitaram o País nos últimos anos já era motivo suficiente para que isso acontecesse. Somente em 2013, segundo a Embratur, o número de estrangeiros que fazem turismo no Brasil registrou uma alta de 6%, superando, inclusive, a média do crescimento mundial naquele ano. Além disso, ele é a grande porta de entrada do País,  2/3 do total de pessoas que chegam ao Brasil desembarcam no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

A ideia é mostrar que, apesar de ainda precisar de alguns ajustes, o novo terminal  já oferece muito mais conforto e segurança não somente para o turista que visita o Brasil mas, sobretudo, para os milhares de cidadãos brasileiros que viajam para o exterior.

Com uma área de 192 mil m² e capacidade para atender 12 milhões de passageiros por ano, o projeto arquitetônico do novo terminal – de autoria do arquiteto andrei de Mesquita, da Engecorps, e da empresa espanhola Typsa – foi inspirado na estrutura dos aeroportos mais modernos da Ásia e da Europa.

DESEMBARQUE
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Com alguns minutos de atraso, o meu avião pousou às 06:03h, do dia 04 de Junho, no novo terminal internacional do Aeroporto de Guarulhos. Acostumada às longas filas da alfândega e à demora para restituir a bagagem, eu confesso que fiquei imensamente surpresa quando cheguei à esteira reservada ao meu vôo e as bagagens já estavam sendo entregues.

O processo da alfândega está bem mais rápido, não tive que enfrentar aquelas filas imensas das vezes anteriores, o número de guichês aumentou bastante e, mesmo a essa hora da manhã, haviam muitos atendentes recepcionando os turistas. Uma única falha que acabei percebendo foi em relação à posição dos números dos guichês. A placa de alguns números estão virados para o lado oposto da fila, o que dificulta um pouco a localização do mesmo. Fora isso, nada a reclamar. Todo o processo (desembarque, alfândega e restituição de bagagem) demorou apenas 35 minutos.

A área de despacho de bagagens agora é bem ampla e possui sete grandes carrosséis, além de painéis espalhados pelo saguão indicando em qual esteira está sendo restituída a bagagem dos vôos. Deixando essa área, o passageiro entra direto no Free Shop, como acontece na maioria dos aeroportos internacionais.

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Como eu ainda teria que fazer uma conexão nacional, tive a oportunidade de verificar, também, como está sendo feita a transferência de um terminal para o outro, bem como a sinalização do aeroporto. Deixei a área de desembarque e logo encontrei placas indicando a direção a seguir para fazer o traslado para o terminal 2. Mesmo assim, quando saí do aeroporto decidi confirmar com um dos atendentes que lá estavam e fui muito bem atendida.

Um ônibus muito bom, grande, confortável, ar condicionado estava estacionado no ponto (infelizmente não fotografei) e, em no máximo 5 minutos, para minha surpresa, eu já estava no outro terminal. De lá, embarquei para Campo Grande, minha cidade natal.

EMBARQUE (ÁREA PÚBLICA)
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Retornei ao Aeroporto de Guarulhos no dia 16 de Junho (a copa já havia começado), desta vez para embarcar de volta a Genebra. Devido aos horários dos vôos entre Campo Grande e São Paulo, tive que ficar um bom tempo por lá, o que me permitiu fazer uma análise bem mais detalhada do novo Terminal.

Desembarquei às 11:30h no Terminal 2, retirei minha bagagem e segui as placas que indicavam a área de espera do ônibus para fazer o traslado. A sinalização está boa, sem dificuldade alguma para o viajante.

O ônibus chegou em seguida, 2 ou 3 minutos de espera. Porém, não era o mesmo tipo de veículo que havia feito o trajeto inverso, no dia 04. Desta vez era um ônibus normal, “de linha” como costumamos chamar no Brasil. Nada acessível, o veículo não tinha bagageiro separado e o passageiro tinha que subir três degraus (carregando a mala) para entrar no mesmo.

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Entrada do ônibus que faz o traslado entre os terminais

Fiquei indignada porque minha mala estava bem pesada mas, felizmente, um funcionário do aeroporto estava por perto e se ofereceu para me ajudar. Inconformada, perguntei ao motorista sobre o outro veículo e ele me explicou que o outro ônibus só é utilizado quando há algum problema com o “de linha”. Ou seja, o quesito traslado entre os terminais ainda precisa melhorar, não somente por conta das bagagens mas, sobretudo, por uma questão de acessibilidade, uma pessoa com necessidades especiais não pode se sujeitar a isso.

De volta ao Terminal 3, dirigi-me, primeiramente à área de check-in. Além dos balcões de atendimento, com 90 posições, o viajante pode realizar o check-in nos totens de autoatendimento disponíveis no aeroporto. Os totens permitem que o passageiro imprima o bilhete de embarque e, também, as etiquetas de bagagem. Eu preferi ir direto ao balcão porque precisava de algumas informações. Mas o processo de check-in e despacho da minha bagagem foi muito rápido, até porque não havia fila.

Mala despachada, resolvi procurar algo para comer. Os restaurantes e lanchonetes estão espalhados nos 3 andares do edifício, o que é bom pois evita a aglomeração de muitas pessoas em um mesmo lugar. Mas, como eu já imaginava, os preços continuam bem altos, um café expresso (aquele, pequenininho) não sai por menos de R$ 4,50. Se você preferir um café com leite (a famosa “média”) vai ter que desembolsar entre R$7,25 e R$ 9,70. E se resolver saborear um pão-de-queijo, vai gastar mais R$4,90. Já uma massa (penne ou gnochi) varia entre R$ 28,00 e R$ 33,00.

Como ainda faltava um bom tempo para o meu embarque, resolvi dar uma volta por fora do prédio e, aí sim, percebi que na área externa ainda há muito o que fazer: funcionários limpando os vitrais, instalando coisas, plantando, etc. O edifício garagem já estava em funcionamento e me pareceu bem moderno, além de ter uma rampa envidraçada que permite o acesso direto ao terminal. Porém, a faixa de pedestre só existia na placa de sinalização.

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Finalmente decidi embarcar. O controle de acesso à área restrita agora é feito por meio de portões com leitura ótica do bilhete de embarque. Coloca-se o cartão, a máquina faz a leitura e a catraca é liberada. Em seguida, o passageiro passa pelo raio-x e o controle de passaporte e já chega à área do Free Shop. Todo o processo agora é bem mais rápido.

EMBARQUE (ÁREA RESTRITA)
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A área restrita, sem sombra de dúvida, foi o que mais me surpreendeu no novo terminal. Não entendo nada de arquitetura, mas achei o projeto arquitetônico fantástico. Então fui pesquisar e descobri que ele, além de bonito, conta com diversas soluções sustentáveis.

“A arquitetura prioriza a iluminação natural por meio das paredes envidraçadas, sem o peso das esquadrias. A estrutura permite melhor economia de energia e ampla visão da área externa do pátio de aeronaves, além de valorizar os espaços internos, proporcionando maior sensação de conforto ao usuário.”( http://www.gru.com.br/pt-br/Noticias/conheca-o-novo-terminal-3)

Realmente, a sensação de bem-estar é inegável devido à estrutura do terminal: pé direito de quase 20 metros de altura, muito espaço e vidraças por todos os lados. Antes de chegar aos portões de embarque, o viajante tem a possibilidade de visitar as lojas do Free Shop. Sim, agora são lojas mesmo, como acontece em outros aeroportos mundo afora, não um amontoado de marcas diversas em uma única loja. Com uma área de 440 mil m², já ganhou o apelido de “GRU Avenue” (referência à 5a. Avenida em Nova York), um verdadeiro paraíso para quem gosta de comprar!

Embarque2_Terminal2Embarque1_Terminal2O acesso aos portões de embarque, agora, pode ser feito por meio das esteiras rolantes. Ao contrário da área de embarque pública, a privada oferece muitas cadeiras para que o viajante aguarde o seu vôo sentado confortavelmente. Há, também, entre cada poltrona, uma tomada para que a bateria dos equipamentos eletrônicos possa ser recarregada, caso necessário. Durante todo o tempo que estive na área restrita do terminal tive acesso à rede wifi do aeroporto, sem custo algum.

CONCLUSÃO
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Apesar de a parte externa do prédio, àquele momento, ainda parecer um canteiro de obras prestes a ser finalizada, devo confessar que continuei com a boa impressão que tive quando desembarquei no início de Junho. O Terminal 3, quando totalmente finalizado,  não ficará devendo em nada para os maiores aeroportos do mundo, pelo menos pelos quais já passei, e causará uma primeira impressão muito melhor ao viajante que chega ao Brasil, seja para passear ou para trabalhar.

Um projeto ousado, com espaços amplos (facilitando a circulação das pessoas) , modernos, confortáveis e muito bem iluminados. Enfim, um terminal internacional como há muito São Paulo merecia. Que venham outros terminais como este pelos aeroportos do País, os turistas agradecem e nós também!